Salário líquido
Como calcular o salário líquido em 2026 (passo a passo)
Do bruto ao líquido: Segurança Social, retenção de IRS, subsídio de alimentação e duodécimos, com um exemplo completo.
Publicado a 3 de novembro de 2026 · 9 min de leitura
Por Romel Neto · política editorial
Este guia acompanha asalário líquido. Os cálculos correm no teu navegador, sem registo.
Receber o salário bruto e não perceber quanto sobra é uma das experiências mais comuns de quem trabalha em Portugal. O recibo tem descontos que ninguém explica na altura, e a diferença entre o que a empresa paga e o que chega à conta pode ser de 30 % ou mais.
Este guia percorre a conta do início ao fim, com números concretos e as regras em vigor em 2026.
A conta em três descontos
O salário líquido resulta de três operações, por esta ordem:
- Segurança Social — 11 % sobre a remuneração sujeita.
- Retenção de IRS — calculada pelas tabelas de retenção, conforme a situação familiar e os dependentes.
- Subsídio de alimentação — a parte isenta soma ao líquido sem qualquer desconto.
Não há mais nada. Seguros, sindicatos, penhoras e empréstimos são descontos facultativos ou extra-recibo e não entram nesta conta.
Passo 1: Segurança Social
A taxa do trabalhador por conta de outrem é de 11 %. Incide sobre:
- salário base;
- subsídios de férias e de Natal (ou duodécimos);
- horas extra e prémios;
- a parte do subsídio de alimentação que excede o limite legal.
Não incide sobre a parte isenta do subsídio de alimentação, nem sobre ajudas de custo devidamente documentadas.
Num salário de 1 500 €, a conta é 1 500 × 11 % = 165 €.
Passo 2: Retenção de IRS
A retenção não é uma percentagem fixa. É calculada com uma taxa marginal e uma parcela a abater, que variam com a remuneração e com a situação familiar.
A fórmula é:
retenção = (remuneração × taxa) − parcela a abater − (parcela por dependente × n.º dependentes)
O resultado nunca pode ser negativo. Para 1 500 €, solteiro e sem dependentes, a tabela de 2026 aplica 24,1 % e uma parcela de 193,33 €:
1 500 × 24,1 % = 361,50 € 361,50 − 193,33 = 168,17 €
É importante não confundir esta taxa com a taxa efetiva. A taxa marginal de 24,1 % aplica-se apenas à fatia de remuneração que cai naquele escalão; a taxa efetiva — imposto sobre rendimento — é de cerca de 11 %.
Passo 3: Subsídio de alimentação
Em 2026, os limites de isenção são:
| Forma de pagamento | Isento até |
|---|---|
| Dinheiro | 6,15 € por dia |
| Cartão ou vale | 10,46 € por dia |
Até esses valores, o subsídio não paga IRS nem Segurança Social. Acima, o excedente é tratado como remuneração.
Com 22 dias e 6 € por dia, são 132 € por mês integralmente isentos.
O exemplo completo
Salário bruto de 1 500 €, solteiro, sem dependentes, 6 € de alimentação em dinheiro durante 22 dias:
| Rubrica | Valor |
|---|---|
| Salário bruto | 1 500,00 € |
| Subsídio de alimentação | 132,00 € |
| Segurança Social (11 %) | −165,00 € |
| Retenção de IRS | −168,17 € |
| Líquido mensal | 1 298,83 € |
Ao ano, com 14 pagamentos, o líquido ronda os 17 788 €.
Duodécimos: mais por mês, o mesmo por ano
Receber os subsídios em duodécimos significa dividir cada um por 12 e recebê-lo todos os meses. O total anual é idêntico; muda o momento do pagamento.
Com duodécimos, o bruto mensal passa a incluir 2/12 de subsídios. Num salário de 1 500 €, isso são mais 250 € por mês, mas deixa de haver os reforços de junho e novembro.
Muita gente prefere os duodécimos por causa do fluxo de caixa. O risco é gastar o valor mensal acrescido e ficar sem margem para despesas maiores.
IRS Jovem
Quem tem até 35 anos e não é dependente pode isentar parte dos rendimentos durante dez anos:
- 100 % no primeiro ano;
- 75 % do segundo ao quarto;
- 50 % do quinto ao sétimo;
- 25 % do oitavo ao décimo.
O limite é de 55 vezes o IAS — 29 542,15 € em 2026.
A isenção é aplicada no acerto anual, não na retenção mensal. O recibo não muda; o benefício aparece no reembolso.
O custo para a empresa
O salário bruto não é o que a empresa gasta. Além dos 14 pagamentos, há a contribuição patronal de 23,75 %, o subsídio de alimentação e o seguro de acidentes de trabalho.
Para 1 500 €, o custo ronda os 2 287 € por mês — cerca de 1,32 € por cada euro de salário bruto. Podes ver a decomposição completa na calculadora de custo do empregador.
Erros comuns
- Assumir que o líquido é bruto − 11 %. Falta o IRS, que é a maior fatia a partir de 1 200 €.
- Confundir taxa marginal com taxa efetiva. O IRS é progressivo.
- Esquecer o subsídio de alimentação acima do limite. O excedente é tributado.
- Comparar propostas pelo bruto. Duas propostas com o mesmo bruto podem dar líquidos diferentes.
- Contar os duodécimos como aumento. É o mesmo dinheiro, noutra altura.
Perguntas rápidas
Porque é que o meu recibo varia de mês para mês? Horas extra, faltas, prémios ou acertos de retenção alteram a base.
O subsídio de alimentação conta para a reforma? A parte isenta não desconta para a Segurança Social; a parte tributada, sim.
Posso receber abaixo do salário mínimo? Não. Em 2026, o mínimo é de 920 € por mês a tempo inteiro.
O IRS Jovem reduz o que recebo por mês? Não na retenção; sim no imposto anual.
O que fica
O líquido depende de três coisas: quanto descontas para a Segurança Social, quanto o Estado retém de IRS e quanto recebes de subsídio de alimentação isento. Perceber a ordem das operações evita surpresas e permite comparar propostas com critério.
Podes fazer a conta com os teus valores na calculadora de salário líquido, que aplica as tabelas oficiais de 2026.
Tempo parcial, faltas e outros cenários
O exemplo anterior assume um contrato a tempo inteiro, sem faltas. Na prática, há variações que mudam o líquido.
Tempo parcial. O salário e o salário mínimo são proporcionais às horas contratadas. Quem trabalha 20 horas por semana num contrato de 40 recebe metade do valor de referência — e desconta 11 % sobre essa metade. O subsídio de alimentação pode ser pago apenas pelos dias efetivamente trabalhados.
Faltas. As faltas injustificadas descontam o salário correspondente ao dia e podem afetar o subsídio de alimentação desse dia. As faltas justificadas têm regras próprias e, em muitos casos, não implicam perda de retribuição.
Baixa médica. Durante uma baixa, o rendimento passa a ser pago pela Segurança Social (subsídio de doença), com regras e valores diferentes do salário. Não é uma situação coberta por esta calculadora.
Mais do que um vínculo. Quem tem dois empregos desconta 11 % em cada um e a retenção é calculada separadamente. No acerto anual, os rendimentos somam-se — o que pode gerar imposto adicional a pagar.
Trabalho independente em acumulação. Quem é trabalhador por conta de outrem e também passa recibos verdes tem dois regimes de contribuição e de IRS. A soma no acerto anual é frequentemente uma surpresa desagradável.
Em qualquer destes cenários, o princípio é o mesmo: o líquido resulta sempre do bruto sujeito menos 11 % de Segurança Social e menos a retenção de IRS.

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Resultado indicativo.Não substitui aconselhamento profissional. Confirma sempre os valores nas fontes oficiais indicadas nesta página antes de tomar qualquer decisão.
