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    Calculadoras financeiras para Portugal

    Custo do empregador

    Quanto custa um trabalhador à empresa em 2026

    O salário bruto é só uma parte da conta: 14 salários, TSU patronal, alimentação e seguro. Vê o custo total com um exemplo completo.

    Publicado a 3 de novembro de 2026 · 9 min de leitura

    Por Romel Neto · política editorial

    Este guia acompanha acusto do empregador. Os cálculos correm no teu navegador, sem registo.

    Quando se negoceia um salário, quase toda a gente olha para o valor bruto que vai aparecer no contrato. Mas o bruto é apenas o ponto de partida: a empresa paga bastante mais por cada trabalhador, e essa diferença pode ultrapassar um terço do salário.

    Este guia mostra a conta completa, encargo a encargo, com um exemplo concreto. O objetivo não é contabilístico: é perceber porque é que uma subida de 100 € no bruto custa mais de 160 € por mês à entidade empregadora, e porque é que o mesmo salário pode custar coisas diferentes consoante o subsídio de alimentação.

    As cinco parcelas do custo

    O custo do empregador soma cinco parcelas.

    1. Salários anuais

    Em Portugal, quem tem um contrato de trabalho recebe 14 pagamentos por ano: 12 salários mensais e dois subsídios — férias e Natal. Não são um prémio nem uma liberalidade: são remuneração, e entram na conta.

    Por isso, o primeiro passo é multiplicar o salário bruto mensal por 14. Um salário de 1 500 € representa 21 000 € por ano só em salários.

    2. Subsídio de alimentação

    O subsídio de alimentação é pago em dinheiro ou em cartão/vale e tem limites de isenção: 6,15 € por dia em dinheiro e 10,46 € por dia em cartão.

    Até esses valores, não há IRS nem Segurança Social. Acima, o excedente é tratado como remuneração e paga contribuições — incluindo a patronal.

    Na prática, o subsídio é normalmente pago 11 meses por ano. Multiplica-se o valor diário pelos dias e pelos meses para obter o custo anual.

    3. TSU patronal

    A contribuição da entidade empregadora é de 23,75 % nas entidades com fins lucrativos e de 22,3 % nas IPSS e equiparadas. O trabalhador desconta 11 % do seu lado.

    A TSU patronal incide sobre os 14 salários e sobre a parte do subsídio de alimentação que excede o limite de isenção.

    4. Seguro de acidentes de trabalho

    É obrigatório por lei. A taxa não é fixa: depende da atividade, do número de trabalhadores e da sinistralidade da empresa. No simulador é um campo que introduzes — no exemplo abaixo usamos 1 %, mas em setores de maior risco pode ser bastante superior.

    5. Outros encargos

    Formação obrigatória, medicina no trabalho, equipamento de proteção, recrutamento e eventuais compensações previstas em contrato coletivo. Não entram na conta base, mas existem.

    O que entra e o que não entra

    Entram: salários, subsídios, alimentação, TSU patronal e seguro de acidentes.

    Não entram: o custo de substituição em caso de ausência, a produtividade (ou a sua falta), e o custo de rotatividade — que raramente aparece em folhas de cálculo e é muitas vezes o maior de todos.

    Exemplo completo

    Salário bruto de 1 500 €, subsídio de alimentação de 6 € em dinheiro durante 22 dias e seguro de acidentes de 1 %:

    Encargo Cálculo Valor anual
    Salários 1 500 € × 14 21 000,00 €
    Subsídio de alimentação 132 € × 11 meses 1 452,00 €
    TSU patronal 23,75 % × 21 000 € 4 987,50 €
    Seguro de acidentes 1 % × 21 000 € 210,00 €
    Total 27 649,50 €

    O total mensal equivalente é de cerca de 2 304 €. Repara que o subsídio de alimentação, por estar dentro do limite de isenção, não paga TSU — mas é custo real, e soma 1 452 € por ano.

    Se o subsídio fosse pago em cartão, o limite de isenção subiria para 10,46 € por dia, mas o custo para a empresa seria o mesmo valor pago. A diferença está no tratamento fiscal, não no desembolso.

    Custo por euro de salário

    Dividir o custo total pelo valor dos salários anuais dá um rácio útil: neste exemplo, 27 649,50 € ÷ 21 000 € ≈ 1,32 €.

    Ou seja, por cada euro de salário bruto, a empresa gasta cerca de 1,32 €. Este rácio varia com o subsídio de alimentação e com o seguro, mas ronda sempre 1,3 em funções sem grandes encargos adicionais.

    Custo por hora

    Para orçamentar serviços, o número que interessa é o custo por hora. Divide-se o custo anual pelas horas efetivamente disponíveis — não pelas 52 semanas teóricas.

    Com 40 horas por semana, o ano tem 2 080 horas. Descontando 22 dias úteis de férias (176 horas) e cerca de 14 feriados (112 horas), sobram aproximadamente 1 792 horas. O custo por hora fica em 27 649,50 € ÷ 1 792 ≈ 15,43 €.

    É este valor que deve entrar num orçamento, e não o salário mensal dividido por 160. A diferença entre os dois é grande, e explica porque é que muitos independentes orçamentam abaixo do custo real.

    Negociar com este número

    Quando um candidato pede 1 600 € em vez de 1 500 €, o aumento não é de 100 € para a empresa: o bruto sobe 100 €, mas a TSU patronal incide sobre os 14 pagamentos e o seguro acompanha. O acréscimo real fica perto de 145 € por mês, ou cerca de 1 750 € por ano.

    O mesmo raciocínio serve para o lado oposto: se a empresa propõe 1 400 € em vez de 1 500 €, poupa mais do que 100 € por mês. Perceber isto evita negociações mal conduzidas — e permite comparar pacotes (salário, alimentação, seguro) de forma honesta.

    Há ainda um custo que não aparece em nenhuma folha de cálculo: a rotatividade. Substituir alguém custa recrutamento, integração e produtividade perdida durante meses. Um salário 200 € abaixo do mercado poupa cerca de 2 800 € por ano em salários, mas pode custar bastante mais se a pessoa sair ao fim de seis meses.

    Cuidados a ter

    • Multiplicar o bruto por 12. São 14 pagamentos por ano, e os subsídios também pagam TSU.
    • Esquecer o subsídio de alimentação. Pode valer mais de 1 400 € por ano e é custo real, mesmo quando é isento.
    • Assumir que o seguro é sempre 1 %. Depende da atividade e da sinistralidade; em setores de risco pode ser muito mais.
    • Ignorar a parte tributável da alimentação. Acima de 6,15 € em dinheiro ou 10,46 € em cartão, o excedente paga TSU patronal.
    • Comparar propostas apenas pelo bruto. Dois pacotes com o mesmo bruto podem custar à empresa valores diferentes.

    Dúvidas de quem contrata

    O subsídio de alimentação paga Segurança Social?

    Só a parte que excede o limite legal. Em dinheiro, até 6,15 € por dia está isento; em cartão, até 10,46 €. Acima disso, o excedente é remuneração e paga contribuições dos dois lados.

    O seguro de acidentes de trabalho é obrigatório?

    Sim. A taxa é negociada com a seguradora e varia com a atividade, o número de trabalhadores e a sinistralidade. Por isso não é um valor fixo do simulador: é um campo que preenches.

    O custo inclui o salário líquido do trabalhador?

    Não. O trabalhador recebe o líquido depois de 11 % de Segurança Social e da retenção de IRS. Esta conta é o lado da empresa; o lado do trabalhador está na calculadora de salário líquido.

    Em resumo

    O custo de um trabalhador é o salário bruto multiplicado por 14, mais a TSU patronal sobre esses 14 meses, mais a alimentação e o seguro. Num salário de 1 500 €, isso dá cerca de 27 650 € por ano, ou 2 304 € por mês — 1,32 € por cada euro de salário bruto.

    Podes fazer a conta com os teus valores na calculadora de custo do empregador, que separa cada encargo e mostra o total anual e mensal.

    Quanto custa um trabalhador à empresa em 2026
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